DIA INTERNACIONAL DE ATENÇÃO À GAGUEIRA - POA
Tema 2011 > GAGUEIRA: HISTÓRIAS QUE MOBILIZAM
No dia 22 de outubro, pessoas que gaguejam e profissionais da área estarão compartilhando suas histórias de vida e trabalho com esse distúrbio de linguagem.
Traga sua história ou suas perguntas!
Local: Rua Casemiro de Abreu, 527 - quase esquina Goethe
Horário: das 10h às 12h
Evento totalmente gratuito
Promoção: Instituto Brasileiro do Fluência - IBF
Colaboração: K2 - Design Concept
Agradeço sua divulgação.
Dra Fga Anelise Junqueira Bohnen
CRFa 5587/RS
Presidente do IBF www.gagueira.org.br
Blog da Rede de Apoio a Fonoaudiologia do Rio Grande do Sul (Conselho Regional de Fonoaudiologia da 7ª Região e Sindicato dos Fonoaudiólogos do Estado do Rio Grande do Sul)
Utilidade Pública: Fonoaudiólogos do RS
Mostrando postagens com marcador Gagueira. Mostrar todas as postagens
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segunda-feira, 17 de outubro de 2011
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
IV Encontro Brasileiro de Pessoas que Gaguejam

http://www.abragagueira.org.br/diag2011.asp
No dia 22 de outubro é comemorado o Dia Internacional de Atenção à Gagueira (DIAG) e, neste ano, o tema da campanha, escolhido pela Associação Internacional de Gagueira (ISA) é Compartilhando Estórias, Mudando Percepções!
Confira abaixo a programação da Associação Brasileira de Gagueira e participe!
IV Encontro Brasileiro de Pessoas que Gaguejam
No dia 22 de outubro de 2011, em Teresina, Piauí, a ABRA GAGUEIRA e a NOVAFAPI promovem o IV Encontro Brasileiro de Pessoas que Gaguejam.
O evento contará com a palestras de profissionais especializados em gagueira, com discussões sobre os conceitos atuais da gagueira, questões sobre gagueira infantil, diferentes abordagens da terapia do adulto e o uso do SpeechEasy. Na parte da tarde haverá depoimentos, discussões sobre os aspectos jurídicos na gagueira e uma palestra sobre a auto-terapia. O evento será encerrado com um palestrante muito especial! Confira!
O encontro é gratuito e as inscrições já estão abertas. Clique aqui saiba mais http://www.abragagueira.org.br/4encontro.asp
A programação pode ser vista em:
http://www.abragagueira.org.br/4_encontro.asp
I Encontro dos Representantes da ABRA GAGUEIRA
No dia 23 de outubro de 2011, em Teresina, Piauí, haverá o I Encontro dos Representantes da ABRA GAGUEIRA. Este evento é destinado exclusivamente aos representantes e colaboradores da associação. Para maiores informações entre em contato pelo e-mail abragagueira@abragagueira.org.br
domingo, 20 de março de 2011
Claudia Regina Furquim de ANDRADE, Professora da USP - São Paulo, falando sobre Gagueira
Olá a todas e todos:
Entrevista dada a VEJA por Cláudia Regina Furquim de ANDRADE, autora da parte de Gagueira do ABFW, dentre outros tantos artigos, livros, e orientadora de teses e dissertações na FOFITO-USP. A entrevista surgiu pelo filme O discurso do Rei.
Para ver os vídeos:
Parte 1:
Parte 2:
Parte 3:
Linkei a entrevista aqui por acha-la muito boa, apesar de dois esclarecimentos:
- O Departamento de Fonoaudiologia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da USP-São Paulo funciona na Faculdade de Medicina da USP. Porém, não temos formação médica. Fonoaudiologia é um curso à parte e no RS ainda tem muita confusão. Publicamos muito na Medicina sim, mas somos área da Saúde. Achei que esta dúvida poderia ficar...
- Cláudia deixa extremamente claro que a Gagueira é uma patologia a ser tratada por fonoaudiólogos. A condição psicológica da Gagueira, na opinião da autora, é vinculada a função social. Definitivamente, não é uma patologia a ser tratada por psicólogos per-se.
- A autora também citou que há outras abordagens da Gagueira e qual a utilizada pelo Laboratório que ela rege na USP. A autora é reconhecida internacionalmente pelas suas pesquisas e por seu trabalho na USP.
Entrevista dada a VEJA por Cláudia Regina Furquim de ANDRADE, autora da parte de Gagueira do ABFW, dentre outros tantos artigos, livros, e orientadora de teses e dissertações na FOFITO-USP. A entrevista surgiu pelo filme O discurso do Rei.
Para ver os vídeos:
Parte 1:
Parte 2:
Parte 3:
Linkei a entrevista aqui por acha-la muito boa, apesar de dois esclarecimentos:
- O Departamento de Fonoaudiologia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da USP-São Paulo funciona na Faculdade de Medicina da USP. Porém, não temos formação médica. Fonoaudiologia é um curso à parte e no RS ainda tem muita confusão. Publicamos muito na Medicina sim, mas somos área da Saúde. Achei que esta dúvida poderia ficar...
- Cláudia deixa extremamente claro que a Gagueira é uma patologia a ser tratada por fonoaudiólogos. A condição psicológica da Gagueira, na opinião da autora, é vinculada a função social. Definitivamente, não é uma patologia a ser tratada por psicólogos per-se.
- A autora também citou que há outras abordagens da Gagueira e qual a utilizada pelo Laboratório que ela rege na USP. A autora é reconhecida internacionalmente pelas suas pesquisas e por seu trabalho na USP.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
A gagueira do Rei: Subjetividade e sintoma, por Carla Graña
A Gagueira do Rei: subjetividade e sintoma
Carla Guterres Graña
Atire a primeira pedra quem nunca gaguejou: ao falar em público em frente a um microfone, ao fazer uma declaração de amor, ao esquecer-se do que deve falar, quando cansado ou quando nervoso? Sim, por incrível que pareça a gagueira, ou melhor, a disfluência também faz parte da comunicação de todos os falantes não-gagos do mundo inteiro. Quer dizer que o ato de fala implica inevitavelmente em errar, esquecer, repetir sílabas ou palavras inteiras? No-novamente a resposta é afirmativa, gaguejamos em uníssono. A disfluência não é somente exclusividade dos que apresentam este sintoma de linguagem na sua fala. No entanto, o que diferencia a fala de um gago da de um não-gago? O simples e complexo fato de que o ato de gaguejar enquanto falamos não nos impede de continuar a falar, não nos rotula de “gago” e não nos faz sentirmo-nos mal-falantes. Contrariamente, os sujeitos que apresentam o rótulo de “gagos”, que perdem o frescor e a espontaneidade da fala e que vivem desesperadamente tentando controlar e despistar a sua gagueira, só conseguem com isso tornar a sua fala tensa, marcada por bloqueios, repetições e desvios.
Já Freud, em um artigo de 1891 denominado Sobre as Afasias, refere que a parafasia (sintoma encontrado nas afasias e que se caracteriza pela substituição de uma palavra por outra- chamar garfo de colher- ou de um som por outro - chamar uma colher de mulher) também poderá ser encontrada na fala do indivíduo normal, sob situações de stress, distração ou perturbação afetiva. Esta simples observação permite constatar que o sintoma da fala está presentificado na fala cotidiana, ou seja, que o normal, o patológico, o regular, o irregular são características pertencentes à linguagem. O lapso, o “erro”, a pausa, o imprevisto, a criação, a poesia realçam a marca do humano na linguagem. A perfeição e a seriação da fala serão, portanto, delegadas às máquinas e aos robôs!
O Discurso do Rei está em cartaz nos cinemas brasileiros, recebeu diversas indicações ao Oscar e levou o prêmio de melhor filme do ano. Além do filme inglês, podemos também presenciar diariamente na televisão a luta (e a maneira quase original de lidar com a gagueira) que um dos concorrentes do BBB11 trava na disputa do prêmio do programa. Ele é “carinhosamente” chamado de “gago” pelos amigos-concorrentes de confinamento. A gagueira esta na moda, e de certa forma no bom sentido! Espaços são abertos na mídia para a discussão (espaços mais que necessários para discutirmos e divulgarmos a profissão e o fazer do fonoaudiólogo) e a informação da população sobre a patologia: o quê fazer, o quê não fazer com os “gagos”, e a eterna dúvida: a gagueira tem origem emocional ou orgânica? Lemos em artigos bastante categóricos e midiáticos: A gagueira não é emocional! Nenhuma pesquisa, entretanto, chegou, até o momento, a uma resposta conclusiva que demonstre de modo irrefutável o quê, no organismo humano, explica a gagueira.
O sujeito é linguagem, o sujeito se constitui na linguagem, como demonstrou exaustivamente o psicanalista francês Jacques Lacan; todos nós somos feitos de histórias, como já disse o poeta. Não se poderá, portanto, pretender excluir da terapêutica da linguagem a subjetividade do paciente (sujeito) em questão. Pela sua boca circulam os significantes e os afetos que o constituíram. Pela boca o seu ser se diz. Ele não poderá de forma alguma ser circunscrito ao aparelho fonatório ou à insuficiência funcional de áreas ou de circuitos cerebrais. Como explicar os “gagos” que somente tropeçam na fala quando falam com figuras de autoridades, como o pai ou o chefe? Como explicar a total fluência da fala do Rei George VI, no filme referido, durante os períodos em que estava irritado com o terapeuta ou com outra pessoa? Como explicar o fato de nenhum gago gaguejar quando conversa consigo mesmo (Logue faz este mesmo questionamento ao então Duque de York em uma consulta)? Seria possível, face a tudo isto, tratar da gagueira somente com exercícios e técnicas fonoaudiológicas?
Certamente Lionel Logue (Geoffrey Rush) era um terapeuta pouco ortodoxo para sua época. Antes desse speech therapist pouco convencional, a realeza havia experimentado renomados médicos na esperança de remover aquela “vergonha” da boca do segundo filho do rei. Médicos que tratavam exclusivamente da boca. Aliás, essa era a imperativa demanda da realeza: resolver o problema da fala sem penetrar na intimidade do duque. Elisabeth (Helena Bonham Carter), esposa do duque, procura Lionel como uma última cartada contra a gagueira persistente do marido. Lionel faz, então, sua primeira exigência: ele e o futuro paciente deveriam se tratar pelo nome próprio. Ali não estaria o Duque de York, filho do atual rei da Inglaterra, mas simplesmente Bertie (maneira como o duque era chamado pela família), com Lionel. Dois homens, sem sobrenomes ou títulos. Sob tal condição, Lionel começa o tratamento, e para desespero do futuro rei ele quer saber detalhes de sua historia: como e quando a gagueira começou, como é a dinâmica familiar, com quem Bertie tinha mais apego na infância, etc. George desconfia da curiosidade demonstrada pelo terapeuta; para que saber tudo isso se o problema é na boca? Para que toda essa conversa tola? Logue leva em frente o tratamento e lança mão de exercícios de relaxamento, de dicção, de impostação de voz e de mais conversa. O futuro rei, descrente de tudo e de todos, precisou acreditar que aquele sujeito excêntrico e heterodoxo poderia ajudá-lo. A terapia continua, e Bertie e Logue estreitam o vínculo afetivo! O atual rei morre e o filho, atordoado com a morte do pai, procura o terapeuta de fala. Mas trata-se ainda e somente de um terapeuta de fala? Ou de alguém que se ocupa também da pessoa de Bertie? O espaço (setting) terapêutico se expande! O irmão mais velho de George, pouco preparado para assumir o trono, deverá assumir o lugar do pai. Para Logue parece evidente que George será o novo rei, e não seu irmão. Ele se assusta com o assinalamento de seu terapeuta; afinal, se mal pode falar, como assumiria um cargo tão importante? Seria mais uma loucura de Logue? Por ironia do destino, pouco tempo depois David (Guy Pearce), irmão de George, renuncia a seu direito, cabendo, então, ao Duque de York assumir o trono. George VI assume o reinado no início da segunda guerra mundial e tem a responsabilidade de comunicar ao mundo que a Inglaterra declarara guerra à Alemanha. O discurso do Rei George deverá ser veiculado pelos modernos meios de comunicação da época: o rádio e a televisão. O rei deveria, portanto, falar bem, clara e fluentemente; ter “voz ativa”. Para isto a presença de Logue, este Outro com que desenvolvera um laço que se manterá por toda a vida, terá uma importância fundamental.
Poderíamos, diante do relatado até então, indagar o que efetivamente auxiliou o Rei em sua luta contra gagueira: os exercícios técnicos fonoaudiológicos ou a relação afetiva estabelecida com o terapeuta? A experiência e um certo trânsito pela transdisciplinaridade nos levariam a responder que os dois fatores foram decisivos, e mais, que eles são interdependentes, um não funciona sem o outro. Nenhuma técnica sobrepõem-se ao vínculo terapêutico, que é intersubjetivo; o instrumento precisa do humano, do inter-humano, do que não é palpável, nem medido, para que se faça eficaz em um tratamento. Nesta perspectiva, a abordagem terapêutica deverá construir um novo sentido para a imagem de falante, que altere a relação do sujeito com o sintoma e com o Outro, exigindo do fonoaudiólogo uma leitura da situação clínica que ultrapasse os estreitos e ingênuos limites ditados por uma perspectiva estreitamente organicista.
Ms. Cala Guterres Graña
Crfa-RS 6614
Carla Guterres Graña
Atire a primeira pedra quem nunca gaguejou: ao falar em público em frente a um microfone, ao fazer uma declaração de amor, ao esquecer-se do que deve falar, quando cansado ou quando nervoso? Sim, por incrível que pareça a gagueira, ou melhor, a disfluência também faz parte da comunicação de todos os falantes não-gagos do mundo inteiro. Quer dizer que o ato de fala implica inevitavelmente em errar, esquecer, repetir sílabas ou palavras inteiras? No-novamente a resposta é afirmativa, gaguejamos em uníssono. A disfluência não é somente exclusividade dos que apresentam este sintoma de linguagem na sua fala. No entanto, o que diferencia a fala de um gago da de um não-gago? O simples e complexo fato de que o ato de gaguejar enquanto falamos não nos impede de continuar a falar, não nos rotula de “gago” e não nos faz sentirmo-nos mal-falantes. Contrariamente, os sujeitos que apresentam o rótulo de “gagos”, que perdem o frescor e a espontaneidade da fala e que vivem desesperadamente tentando controlar e despistar a sua gagueira, só conseguem com isso tornar a sua fala tensa, marcada por bloqueios, repetições e desvios.
Já Freud, em um artigo de 1891 denominado Sobre as Afasias, refere que a parafasia (sintoma encontrado nas afasias e que se caracteriza pela substituição de uma palavra por outra- chamar garfo de colher- ou de um som por outro - chamar uma colher de mulher) também poderá ser encontrada na fala do indivíduo normal, sob situações de stress, distração ou perturbação afetiva. Esta simples observação permite constatar que o sintoma da fala está presentificado na fala cotidiana, ou seja, que o normal, o patológico, o regular, o irregular são características pertencentes à linguagem. O lapso, o “erro”, a pausa, o imprevisto, a criação, a poesia realçam a marca do humano na linguagem. A perfeição e a seriação da fala serão, portanto, delegadas às máquinas e aos robôs!
O Discurso do Rei está em cartaz nos cinemas brasileiros, recebeu diversas indicações ao Oscar e levou o prêmio de melhor filme do ano. Além do filme inglês, podemos também presenciar diariamente na televisão a luta (e a maneira quase original de lidar com a gagueira) que um dos concorrentes do BBB11 trava na disputa do prêmio do programa. Ele é “carinhosamente” chamado de “gago” pelos amigos-concorrentes de confinamento. A gagueira esta na moda, e de certa forma no bom sentido! Espaços são abertos na mídia para a discussão (espaços mais que necessários para discutirmos e divulgarmos a profissão e o fazer do fonoaudiólogo) e a informação da população sobre a patologia: o quê fazer, o quê não fazer com os “gagos”, e a eterna dúvida: a gagueira tem origem emocional ou orgânica? Lemos em artigos bastante categóricos e midiáticos: A gagueira não é emocional! Nenhuma pesquisa, entretanto, chegou, até o momento, a uma resposta conclusiva que demonstre de modo irrefutável o quê, no organismo humano, explica a gagueira.
O sujeito é linguagem, o sujeito se constitui na linguagem, como demonstrou exaustivamente o psicanalista francês Jacques Lacan; todos nós somos feitos de histórias, como já disse o poeta. Não se poderá, portanto, pretender excluir da terapêutica da linguagem a subjetividade do paciente (sujeito) em questão. Pela sua boca circulam os significantes e os afetos que o constituíram. Pela boca o seu ser se diz. Ele não poderá de forma alguma ser circunscrito ao aparelho fonatório ou à insuficiência funcional de áreas ou de circuitos cerebrais. Como explicar os “gagos” que somente tropeçam na fala quando falam com figuras de autoridades, como o pai ou o chefe? Como explicar a total fluência da fala do Rei George VI, no filme referido, durante os períodos em que estava irritado com o terapeuta ou com outra pessoa? Como explicar o fato de nenhum gago gaguejar quando conversa consigo mesmo (Logue faz este mesmo questionamento ao então Duque de York em uma consulta)? Seria possível, face a tudo isto, tratar da gagueira somente com exercícios e técnicas fonoaudiológicas?
Certamente Lionel Logue (Geoffrey Rush) era um terapeuta pouco ortodoxo para sua época. Antes desse speech therapist pouco convencional, a realeza havia experimentado renomados médicos na esperança de remover aquela “vergonha” da boca do segundo filho do rei. Médicos que tratavam exclusivamente da boca. Aliás, essa era a imperativa demanda da realeza: resolver o problema da fala sem penetrar na intimidade do duque. Elisabeth (Helena Bonham Carter), esposa do duque, procura Lionel como uma última cartada contra a gagueira persistente do marido. Lionel faz, então, sua primeira exigência: ele e o futuro paciente deveriam se tratar pelo nome próprio. Ali não estaria o Duque de York, filho do atual rei da Inglaterra, mas simplesmente Bertie (maneira como o duque era chamado pela família), com Lionel. Dois homens, sem sobrenomes ou títulos. Sob tal condição, Lionel começa o tratamento, e para desespero do futuro rei ele quer saber detalhes de sua historia: como e quando a gagueira começou, como é a dinâmica familiar, com quem Bertie tinha mais apego na infância, etc. George desconfia da curiosidade demonstrada pelo terapeuta; para que saber tudo isso se o problema é na boca? Para que toda essa conversa tola? Logue leva em frente o tratamento e lança mão de exercícios de relaxamento, de dicção, de impostação de voz e de mais conversa. O futuro rei, descrente de tudo e de todos, precisou acreditar que aquele sujeito excêntrico e heterodoxo poderia ajudá-lo. A terapia continua, e Bertie e Logue estreitam o vínculo afetivo! O atual rei morre e o filho, atordoado com a morte do pai, procura o terapeuta de fala. Mas trata-se ainda e somente de um terapeuta de fala? Ou de alguém que se ocupa também da pessoa de Bertie? O espaço (setting) terapêutico se expande! O irmão mais velho de George, pouco preparado para assumir o trono, deverá assumir o lugar do pai. Para Logue parece evidente que George será o novo rei, e não seu irmão. Ele se assusta com o assinalamento de seu terapeuta; afinal, se mal pode falar, como assumiria um cargo tão importante? Seria mais uma loucura de Logue? Por ironia do destino, pouco tempo depois David (Guy Pearce), irmão de George, renuncia a seu direito, cabendo, então, ao Duque de York assumir o trono. George VI assume o reinado no início da segunda guerra mundial e tem a responsabilidade de comunicar ao mundo que a Inglaterra declarara guerra à Alemanha. O discurso do Rei George deverá ser veiculado pelos modernos meios de comunicação da época: o rádio e a televisão. O rei deveria, portanto, falar bem, clara e fluentemente; ter “voz ativa”. Para isto a presença de Logue, este Outro com que desenvolvera um laço que se manterá por toda a vida, terá uma importância fundamental.
Poderíamos, diante do relatado até então, indagar o que efetivamente auxiliou o Rei em sua luta contra gagueira: os exercícios técnicos fonoaudiológicos ou a relação afetiva estabelecida com o terapeuta? A experiência e um certo trânsito pela transdisciplinaridade nos levariam a responder que os dois fatores foram decisivos, e mais, que eles são interdependentes, um não funciona sem o outro. Nenhuma técnica sobrepõem-se ao vínculo terapêutico, que é intersubjetivo; o instrumento precisa do humano, do inter-humano, do que não é palpável, nem medido, para que se faça eficaz em um tratamento. Nesta perspectiva, a abordagem terapêutica deverá construir um novo sentido para a imagem de falante, que altere a relação do sujeito com o sintoma e com o Outro, exigindo do fonoaudiólogo uma leitura da situação clínica que ultrapasse os estreitos e ingênuos limites ditados por uma perspectiva estreitamente organicista.
Ms. Cala Guterres Graña
Crfa-RS 6614
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Texto do Colega Tiago Pereira de Souza sobre o Filme 'O Discurso do Rei'
Reflexão feita a partir do filme "O Discurso do Rei"
título original: (The King's Speech)
lançamento: 2010 (Inglaterra)
direção:Tom Hooper
atores: Colin Firth, Helena Bonham Carter, Geoffrey Rush, Michael Gambon.
duração: 118 min
gênero: Drama
Acabei de ver o Filme "O Discurso do Rei", e seria desrespeito comigo mesmo não parar ao menos alguns minutos para descrever minhas percepções e emoções ao ver o filme.
Inicialmente, gostaria de destacar o quanto a hegemonia biomédica persiste desde aquela época aos dias de hoje. Terapias que não seguem protocolos, manuais, enfim "receitas de bolo", lutam para provar que são tão eficazes (ou mais) que as tradicionais.
Nesta breve reflexão, resgatada por minhas lentes, gostaria de destacar o papel não só de "promoção" da nossa profissão, mas também o profundo debate teórico que nos remete tal película.
Não é de hoje que as discussões quanto a prática fonoaudiológica estão presentes em nossos congressos, seminários e encontros, mas cabe a ressalva, em nenhum momento tais discussões parecem contribuir para que a FONOAUDIOLOGIA consolide-se enquanto profissão reconhecida pela nossa sociedade. Parece-me que cada vez que nossos colegas erguem suas vozes para defender a teoria "A" ou "B", na verdade estão travando uma incessante luta de egos e vaidades.
Tenho total confiança em minhas percepções, o que me dá uma tranquilidade enorme ao escrever este texto. A partir do filme poderia descrever os métodos terapêuticos, as abordagens práticas e os conceitos teóricos, mas particularmente acredito que muitos fonoaudiólogos do país estão fazendo o mesmo, não problematizando uma realidade, mas "puxando a brasa para o seu assado", já que escutei dois profissionais de linhas teóricas totalmente diferentes dizerem que o Lionel Logue (Geoffrey Rush) se baseou na teoria "A" e na teoria "B", ao mesmo tempo e separadamente.
Também não me importo muito com as críticas que possivelmente receberei, se algum dia me importou estes já são passado. Mas jamais desperdiçaria a oportunidade de gerar uma discussão, dentro de uma profissão mergulhada num marasmo sem fim, que não problematiza as relações de trabalho, que não discute eticamente suas teorias, que se mostra cada vez mais "autofágica".
Recebi inúmeros emails de familiares e amigos que viram o filme e se lembraram de mim, ora, precisam ver um filme no cinema pra lembrar que sou FONOAUDIÓLOGO? Precisam ver a FONOAUDIOLOGIA na novela das 8 (ou 9 sei lá) para lembrar que existimos? E depois? E depois que este filme ganhar o OSCAR? Seremos mais respeitados? Continuaremos discutindo por e-mail nossas teorias? Seremos contratados no serviço público? Nossos consultórios receberam mais "gagos"?
Na verdade, como disse anteriormente, o filme permite aos que desconhecem o imenso campo de trabalho da FONOAUDIOLOGIA, um contato com 0,1% de possibilidades, talvez porque teimamos em construir nossa profissão de fora para dentro e não de dentro para fora, daí quanto uma grande produtora se dispõe a publicizar nosso papel achamos isso um máximo (também acho), mas é pouco, e não tenho medo de dizer que é POUCO! E isso não só um papel de entidades (CFFª, CREFONOs ou SINDFONOS), isso é um papel para cada um de nós.
Sinto que cada dia parece que nós estamos trabalhando cada vez mais para nós mesmos, que cada dia estamos potencializando o desconhecimento social. Cada vez as pesquisas são para enriquecer currículos ao invés de buscar novos métodos, eu, ao contrário de alguns tenho vergonha de dizer que aprendi técnicas em sala de aula que eram usadas em 1936, não posso acreditar que em quase 100 anos não aprimoraram métodos terapêuticos (sem discutir teorias, não vim com esse propósito).
Outro aspecto que é importante destacar está no fato de que, mesmo existindo abordagens diferentes nos casos de gagueira, Lionel Logue (Geoffrey Rush), não demonstrou-se um "terapeuta fechado" em seus conceitos teóricos, uma vez que, no primeiro atendimento visivelmente busca uma linha mais subjetiva que, não sendo bem recebida por George (Colin Firth), lhe faz mostrar um aparato tecnológico que garante um momento de boa fluência afim de ganhar a confiança do mesmo. Conforme os dias vão passando, o terapeuta busca entender o funcionamento desta gagueira, com quem ele mais gagueja? Onde? Quando? Até chegar no porque. É evidente que entender esse funcionamento não é garantia de "cura", por isso os exercícios, o diálogo, a busca pelo auto-conhecimento e controle, métodos de driblar a disfluência, enfim, tudo está no filme.
Para finalizar gostaria de reiterar, que mesmo estando muito envaidecido com o filme "O Discurso do Rei", isso não me basta. Quero estar vivo para poder ver a FONOAUDIOLOGIA no patamar profissional que merece, sendo reconhecida pela sociedade, estando em todos os níveis de atenção à saúde, para isso dedico minha vida sobre meu juramento, mas sozinho (ou com poucos) não é possível, esperar nossa profissão vingar sentado em suas salas é o mesmo que esperar uma semente virar árvore sem regá-la.
Forte Abraço,
Tiago Pereira de Souza
Fonoaudiólogo CREFONO7/9295 Residência
Multiprofissional Integrada em Atenção Básica / Saúde da Família - UFSM
título original: (The King's Speech)
lançamento: 2010 (Inglaterra)
direção:Tom Hooper
atores: Colin Firth, Helena Bonham Carter, Geoffrey Rush, Michael Gambon.
duração: 118 min
gênero: Drama
Acabei de ver o Filme "O Discurso do Rei", e seria desrespeito comigo mesmo não parar ao menos alguns minutos para descrever minhas percepções e emoções ao ver o filme.
Inicialmente, gostaria de destacar o quanto a hegemonia biomédica persiste desde aquela época aos dias de hoje. Terapias que não seguem protocolos, manuais, enfim "receitas de bolo", lutam para provar que são tão eficazes (ou mais) que as tradicionais.
Nesta breve reflexão, resgatada por minhas lentes, gostaria de destacar o papel não só de "promoção" da nossa profissão, mas também o profundo debate teórico que nos remete tal película.
Não é de hoje que as discussões quanto a prática fonoaudiológica estão presentes em nossos congressos, seminários e encontros, mas cabe a ressalva, em nenhum momento tais discussões parecem contribuir para que a FONOAUDIOLOGIA consolide-se enquanto profissão reconhecida pela nossa sociedade. Parece-me que cada vez que nossos colegas erguem suas vozes para defender a teoria "A" ou "B", na verdade estão travando uma incessante luta de egos e vaidades.
Tenho total confiança em minhas percepções, o que me dá uma tranquilidade enorme ao escrever este texto. A partir do filme poderia descrever os métodos terapêuticos, as abordagens práticas e os conceitos teóricos, mas particularmente acredito que muitos fonoaudiólogos do país estão fazendo o mesmo, não problematizando uma realidade, mas "puxando a brasa para o seu assado", já que escutei dois profissionais de linhas teóricas totalmente diferentes dizerem que o Lionel Logue (Geoffrey Rush) se baseou na teoria "A" e na teoria "B", ao mesmo tempo e separadamente.
Também não me importo muito com as críticas que possivelmente receberei, se algum dia me importou estes já são passado. Mas jamais desperdiçaria a oportunidade de gerar uma discussão, dentro de uma profissão mergulhada num marasmo sem fim, que não problematiza as relações de trabalho, que não discute eticamente suas teorias, que se mostra cada vez mais "autofágica".
Recebi inúmeros emails de familiares e amigos que viram o filme e se lembraram de mim, ora, precisam ver um filme no cinema pra lembrar que sou FONOAUDIÓLOGO? Precisam ver a FONOAUDIOLOGIA na novela das 8 (ou 9 sei lá) para lembrar que existimos? E depois? E depois que este filme ganhar o OSCAR? Seremos mais respeitados? Continuaremos discutindo por e-mail nossas teorias? Seremos contratados no serviço público? Nossos consultórios receberam mais "gagos"?
Na verdade, como disse anteriormente, o filme permite aos que desconhecem o imenso campo de trabalho da FONOAUDIOLOGIA, um contato com 0,1% de possibilidades, talvez porque teimamos em construir nossa profissão de fora para dentro e não de dentro para fora, daí quanto uma grande produtora se dispõe a publicizar nosso papel achamos isso um máximo (também acho), mas é pouco, e não tenho medo de dizer que é POUCO! E isso não só um papel de entidades (CFFª, CREFONOs ou SINDFONOS), isso é um papel para cada um de nós.
Sinto que cada dia parece que nós estamos trabalhando cada vez mais para nós mesmos, que cada dia estamos potencializando o desconhecimento social. Cada vez as pesquisas são para enriquecer currículos ao invés de buscar novos métodos, eu, ao contrário de alguns tenho vergonha de dizer que aprendi técnicas em sala de aula que eram usadas em 1936, não posso acreditar que em quase 100 anos não aprimoraram métodos terapêuticos (sem discutir teorias, não vim com esse propósito).
Outro aspecto que é importante destacar está no fato de que, mesmo existindo abordagens diferentes nos casos de gagueira, Lionel Logue (Geoffrey Rush), não demonstrou-se um "terapeuta fechado" em seus conceitos teóricos, uma vez que, no primeiro atendimento visivelmente busca uma linha mais subjetiva que, não sendo bem recebida por George (Colin Firth), lhe faz mostrar um aparato tecnológico que garante um momento de boa fluência afim de ganhar a confiança do mesmo. Conforme os dias vão passando, o terapeuta busca entender o funcionamento desta gagueira, com quem ele mais gagueja? Onde? Quando? Até chegar no porque. É evidente que entender esse funcionamento não é garantia de "cura", por isso os exercícios, o diálogo, a busca pelo auto-conhecimento e controle, métodos de driblar a disfluência, enfim, tudo está no filme.
Para finalizar gostaria de reiterar, que mesmo estando muito envaidecido com o filme "O Discurso do Rei", isso não me basta. Quero estar vivo para poder ver a FONOAUDIOLOGIA no patamar profissional que merece, sendo reconhecida pela sociedade, estando em todos os níveis de atenção à saúde, para isso dedico minha vida sobre meu juramento, mas sozinho (ou com poucos) não é possível, esperar nossa profissão vingar sentado em suas salas é o mesmo que esperar uma semente virar árvore sem regá-la.
Forte Abraço,
Tiago Pereira de Souza
Fonoaudiólogo CREFONO7/9295 Residência
Multiprofissional Integrada em Atenção Básica / Saúde da Família - UFSM
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sábado, 29 de janeiro de 2011
Filme sobre gagueira: O discurso do Rei
Prezados Conselheiros do Conselho Regional de Fonoaudiologia-7ª Região e Caros Assessores de Imprensa,
Em 11 de fevereiro, será lançado no Brasil o filme “O Discurso do Rei”, que mostra com respeito e seriedade a luta do Rei George VI para superar as dificuldades que sua gagueira lhe impôs desde a infância.
Nós, do Instituto Brasileiro de Fluência – IBF, em concordância com as mais respeitadas entidades internacionais que trabalham pela disseminação de informações cientificamente corretas sobre a gagueira – vemos nesse filme a possibilidade de sensibilizar a população sobre esse problema de origem neurológica, que afeta profundamente a vida de seus portadores.
Gostaríamos imensamente de contar com a sua preciosa colaboração na divulgação das informações sobre a gagueira, e acrescentando, se possível, à sua matéria sobre o filme um link para o site do IBF (www.gagueira.org.br), como complemento para a compreensão do filme.
Neste filme disponibilizamos informações sobre a gagueira : http://www.youtube.com/watch?v=FcwPoPqQDRE
Desde já agradecemos.
Leila Nagib
CRFa 2807/RJ
Diretora de Eventos Científicos_IBF
Profª do Curso de Fonoaudiologia-
Fac. Medicina -UFRJ
Em 11 de fevereiro, será lançado no Brasil o filme “O Discurso do Rei”, que mostra com respeito e seriedade a luta do Rei George VI para superar as dificuldades que sua gagueira lhe impôs desde a infância.
Nós, do Instituto Brasileiro de Fluência – IBF, em concordância com as mais respeitadas entidades internacionais que trabalham pela disseminação de informações cientificamente corretas sobre a gagueira – vemos nesse filme a possibilidade de sensibilizar a população sobre esse problema de origem neurológica, que afeta profundamente a vida de seus portadores.
Gostaríamos imensamente de contar com a sua preciosa colaboração na divulgação das informações sobre a gagueira, e acrescentando, se possível, à sua matéria sobre o filme um link para o site do IBF (www.gagueira.org.br), como complemento para a compreensão do filme.
Neste filme disponibilizamos informações sobre a gagueira : http://www.youtube.com/watch?v=FcwPoPqQDRE
Desde já agradecemos.
Leila Nagib
CRFa 2807/RJ
Diretora de Eventos Científicos_IBF
Profª do Curso de Fonoaudiologia-
Fac. Medicina -UFRJ
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
22 OUT DIA INTERNACIONAL DE ATENÇÃO A GAGUEIRA
Dia Internacional de Atenção à Gagueira 2010
contribuição do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Fluência da Fala - NEPFF, desenvolvida em conjunto com a "Asociación Iberoamericana de la Tartamudez (Venezuela), "Fundación para la Tartamudez" (Argentina), a "Licenciatura en Fonoaudiologia - UDELAR - Universidad de la República" e o "Centro Hospitalário Pereira Rossel" (Uruguai), com apoio do Instituto CEFAC e da PUC-SP.
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